A CELEBRAÇÃO DE MARIA AUXILIADORA E DOS SANTOS NA LITURGIA DA IGREJA

O CULTO DOS SANTOS NA IGREJA   

Sempre que a Igreja celebra o memorial da Páscoa do seu Senhor, proclama a santidade de Deus, especialmente na tríplice aclamação para a qual converge toda ação de graças: “Santo! Santo! Santo! Senhor Deus Todo-poderoso, Aquele que é, que era e que vem” (Ap 4,8).  Mas a Igreja reconhece como santos também aqueles que, respondendo ao amor de Deus derramado em seus corações pelo Espírito, viveram não para si mesmos, mas para o Senhor crucificado e ressuscitado, prolongando no mundo sua presença viva e vivificante.

Por essa razão, no decorrer do Ano Litúrgico, a Igreja inseriu também a memória dos Mártires e de outros Santos que, conduzidos à perfeição pela multiforme graça de Deus e já recompensados com a eterna salvação, cantam nos céus o perfeito louvor a Deus e intercedem em nosso favor. Celebrando sua memória, nós somos revigorados pelo seu testemunho e auxiliados pela sua intercessão fraterna  no  caminho  da  vida,  em  direção  à Páscoa eterna, para  receber com  eles, para além da morte, a  mesma  coroa  imperecível  de glória.

Desde a antiguidade, cada Igreja local, vivendo o chamado à santidade, possui seu próprio Catálogo de Santos e Santas; e se reúne para celebrar  a  Eucaristia  em  suas  memórias, sobretudo  no  seu  dies natalis,  isto  é,  no  dia  de  seu  nascimento  para  a  plenitude  da  vida  sem fim.  Nasceu  daí  um  ciclo  de  solenidades,  festas  e  memórias (chamado  “Próprio  dos  Santos“)  que  acompanha,  no  tempo,  a celebração  do  mistério  pascal,  no  seu  ritmo  anual,  semanal  e cotidiano  (“Próprio  do  Tempo“),  e  contribui  para  que  a  nossa atenção e  oriente  principalmente  para  as  festas  do  Senhor, nas  quais  se celebram  os  mistérios  da  salvação.

Com  o  desenvolvimento  das  diversas  formas  de  vida  consagrada, cresceu  o  ideal  de  santidade,  mediante  os  carismas  mais  diversos, como é o nosso caso.  E a  Igreja  reconheceu  tal  santidade,  propondo  como  modelos  os  que manifestaram  fidelidade  heróica  ao Evangelho. O costume  de  celebrar, com  santa  memória,  esses  irmãos  e  irmãs  na fé  deu  origem  a  “Celebrações  Próprias”  que,  ao  longo  dos  tempos, continuam  a  enriquecer  a  memória  de  sua  santidade  e  a  estimular  sua imitação.

A  fim  de  contribuir  para  a  salvação  da  juventude  o  Espírito  Santo suscitou  São  João  Bosco  e  guiou-o  na  criação  de  diversas  forças apostólicas,  que  hoje  formam  a  Família  Salesiana.  Nessa  missão, não  poucos  homens  e  mulheres  viveram  em  plenitude  o  ideal  de  vida evangélica.  Com  a  publicação  do  Calendário  Romano  Geral,  o  ano  litúrgico foi  dividido  de  modo  que  os  dois  ciclos  —  o  dos  mistérios  do Senhor  e  o  dos  Santos  —  se  harmonizassem  melhor  entre  si.

Por isso foram  inseridos no Calendário os  Santos e Santas de importância universal; às respectivas nações, dioceses e famílias religiosas confiou-se o empenho de honrar os Santos que, por doutrina ou atividade apostólica, exerceram grande influência na sua história religiosa. Tais celebrações são inseridas de modo orgânico entre as do ciclo geral, por meio dos “Calendários particulares”.

O CALENDÁRIO PRÓPRIO DA FAMÍLIA SALESIANA 

O Calendário Próprio da Família Salesiana contempla solenidades, festas, memórias (obrigatórias e facultativas) e a comemoração dos Irmãos Falecidos. Estas celebrações devem ser observadas por todos os que são obrigados a este Calendário, ou seja, de modo geral, os membros da Família Salesiana. São celebrados com grau de solenidade:

a) o aniversário da Dedicação da própria Igreja (Paróquia Sagrada Família), no dia 30 de agosto, data da dedicação da Igreja e do altar;

b) o Titular da Igreja dedicada (Sagrada Família): no último dia da oitava do Natal do Senhor ou no dia 30 de dezembro, caso o Natal caia em um domingo;

c) a Padroeira principal da Família Salesiana (Nossa Senhora Auxiliadora): no dia 24 de maio ou no primeiro dia livre imediato, caso o dia 24 caia em um domingo da Páscoa

d) o Fundador (São João Bosco), no dia 31 de janeiro.

e) a cofundadora – para o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (Santa Maria Domingas Mazzarello), no dia 13 de maio.

Quando uma dessas solenidades for impedida por causa de um dia litúrgico que tenha precedência, ou coincidir com um domingo do Advento, Quaresma e Páscoa, transfere-se para o primeiro dia livre imediatamente posterior. É o que acontece neste ano, entenda. A Solenidade de “Maria, Auxiliadora dos Cristãos”, celebrada no dia 24 de maio, coincide com a Solenidade da Ascensão do Senhor, fixada no 7º Domingo da Páscoa. Assim, seguindo as normas do Calendário Romano Geral e, em atenção, ao Calendário Próprio da Família Salesiana, a festa litúrgica de Nossa Senhora Auxiliadora, neste ano de 2020, será celebrada no dia 25 de maio.

Também, são celebrados com o grau de festa:

a) o Titular e Padroeiro da Família Salesiana (São Francisco de Sales), no dia 24 de janeiro;
b) Santa Maria Domingas Mazzarello, no dia 13 de maio;
c) São Domingos Sávio, no dia 6 de maio.

Os membros da Família Salesiana, além disso, unem-se à Igreja local nas celebrações do:

a) aniversário da Dedicação da Igreja Catedral (Catedral São Dimas), no dia 1º de maio;
b) Padroeiro principal do lugar e do território mais extenso  (na diocese: São José, em 19 de março; na região: São José de Anchieta, em 9 de junho; na nação: Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro; no continente: Nossa Senhora de Guadalupe, em 12 de dezembro).

Os  outros  Santos  e  Bem-aventurados  são  celebrados  como Memória  obrigatória  ou  facultativa.  Neste  último  caso,  seguem  tal regra todas  as  celebrações dos Bem-aventurados. A  memória  facultativa  permite  a  escolha  entre  a  Missa  e  o  Ofício  da féria  ou  do  Santo:  não  impede,  portanto,  de  modo  algum  a  celebração do  Santo,  mas  permite  ordenar  a  celebração  do  dia  litúrgico  de  modo que  se  adapte  mais  facilmente  às  necessidades  espirituais,  à  piedade,  à preparação  e  à  índole  dos  participantes. Tais  celebrações  podem, contudo,  ser  feitas  de  modo  mais  solene  nos  lugares  com  os  quais  esses   Santos  ou  Bem-aventurados  possuam  uma  relação  mais  estreita,  ou onde seus  corpos sejam  conservados.

Sempre  e  em  todo  lugar,  a  Igreja  oferece  o  sacrifício  eucarístico pelos  vivos  e  mortos,  a  fim  de  que,  pela  comunhão  dos santos, ou seja, a comunhão de  todos  os membros  de  Cristo  entre  si,  o  que  obtém  para  uns  o  socorro  espiritual, traga aos outros a  consolação da  esperança. Dos  defuntos  faz-se  um  Memento  em  cada  Oração  Eucarística.  A união  dos  que  estão  na  terra  com  os  irmãos  que  descansam  na  paz  de Cristo,  de  maneira  nenhuma  se  interrompe,  ao  contrário,  conforme  a  fé perene  da  Igreja,  vê-se  fortalecida  pela  comunicação  dos  bens espirituais.

Nesta  linha  de  fé  coloca-se  a  tradicional  práxis  da  Família  Salesiana de sufragar  todos os  que  partiram  desta vida marcados  com  o sinal  da  fé  e  dormem  o sono da  paz:

a) no dia  1º  de  fevereiro  recordam-se  todos  os  Irmãos  Salesianos Falecidos, com  celebração  litúrgica  própria;
b) no dia  15  de  maio  recordam-se  os  Pais  Falecidos  das  Filhas  de Maria  Auxiliadora;
c) no dia  25  de  maio  recordam-se  as  Irmãs  Falecidas  do  Instituto  das Filhas  de  Maria  Auxiliadora,  bem  como  seus  parentes  e  benfeitores;
d) no dia  5  de  novembro  recordam-se  os  Benfeitores  e  todos  os Membros  Falecidos  da  Família  Salesiana;
e) no dia  25  de  novembro  recordam-se  os  Pais  Falecidos  dos Salesianos;
f) finalmente, em  cada  turno  anual  de  Retiros  espirituais  recordam-se os  Irmãos  e  as  Irmãs

Por fim, a Eucaristia  é o sacramento por  excelência. Sua  celebração consegue  para  nós – se estivermos bem  dispostos –  que  quase  todo  acontecimento da  vida  seja  santificado  pela  graça  divina  que  flui  do  Mistério  Pascal da  Paixão, Morte  e  Ressurreição de  Cristo. Não percamos a oportunidade de celebrando o memorial da Páscoa do Senhor, proclamar a santidade de Deus, e junto da celebração dos Santos, sejamos revigorados pelo seu testemunho e auxiliados pela sua intercessão fraterna  no  caminho  da  vida,  em  direção  à Páscoa eterna que viveremos um dia no céu. Afinal, assim escreveu nosso Pai e Mestre:

“A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar todos juntos um dia no Paraíso”. (Dom Bosco)

Boa Festa!
Viva Maria Auxiliadora!
Somos a Sagrada Família dos filhos de Dom Bosco!

Rômulo Paula

 Cf. Introdução ao Lecionário das “Missas Próprias da Família Salesiana”, n. 5-12.

 

 

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