O “Padre Santo” Missionário

A Missão Evangelizadora, com o propósito de levar a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo a todos os povos, para que se convertam, se santifiquem e encontrem o Reino de Deus, sempre foi a maior e principal tarefa da Igreja. A evangelização obedece ao mandato missionário de Jesus Cristo, conforme várias citações do Novo Testamento, como: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28, 19-20) (Bíblia de Jerusalém).

Este mandato missionário, que Jesus Cristo deu a todos os discípulos, para que todos possam ser salvos, é abraçada com destaque por alguns cristãos ao longo da história do Cristianismo, como foi o caso do Venerável Pe. Rodolfo Komorek (sdb), o “Padre Santo”, que doou toda a sua vida a servir a Deus e aos filhos de Deus com ardor missionário, para que o acesso ao Reino de Deus fosse propiciado a todos.

O Papa Francisco em sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium-EG, de 2013, convida a todos os fiéis cristãos a participarem da alegria da Missão Evangelizadora. Nesta exortação o Santo Padre nos mostra toda a motivação e entendimento necessários para cumprirmos este mandato que nos foi dado por Jesus. Em especial destaca-se aqui o EG-20 referente a “Uma Igreja «em saída»”, onde o Papa demonstra a necessidade de todo cristão sair de sua comodidade e ir até o encontro daquele que necessita receber o Evangelho: “…Naquele «ide» de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova «saída» missionária.

Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho”. Iremos observar neste breve tributo em honra ao Venerável Pe. Rodolfo sdb, relativo à sua atuação missionária, o quanto sua referência de vida é atual para nós no mundo de hoje, o quanto é aderente aos documentos recentes da Igreja sobre Missão, em especial Evangelii Gaudium. O Pe. Rodolfo foi aquele que permanentemente sempre estava indo alcançar, nos pontos mais remotos, aqueles que precisavam do Evangelho, sempre “em saída”.

Rodolfo Komorek, desde a sua infância e adolescência em Bielsco na Polônia, onde nasceu em 1890, sempre teve profunda espiritualidade, caridade e dom de servir com espírito cristão a todas as pessoas, o que era claramente percebido nos seus ambientes familiares e escolares. Já demonstrando desde então sua vocação missionária.

Com seu firme propósito de servir a Deus e aos Seus filhos, em 1909 entra para o seminário, vindo a ser ordenado sacerdote em 1913, atuando então como sacerdote em algumas cidades da Polônia, desde o início em uma entrega absoluta a servir àqueles aos seus cuidados.

Em 1914 inicia-se a Primeira Guerra Mundial e a chama missionária do Pe. Rodolfo o leva a se alistar voluntariamente no exército como Capelão, para levar a palavra de Deus aos soldados em combate. Inicialmente o designam para prestar seus serviços religiosos nos hospitais militares de Cracóvia e Borgo, onde sempre estava no meio dos doentes e feridos de guerra, levando-lhes conforto espiritual e aliviando-lhes o sofrimento.

Em 1916, com seu espírito missionário falando mais alto, pede para ir para a frente de batalha. Fruto de sua dedicação integral e extraordinária aos doentes e feridos nos hospitais militares recebe duas condecorações, a cruz espiritual do mérito e a medalha do mérito da Cruz Vermelha.

Em 1918 é atendido em seu pedido e vai para o front, onde sempre esteve junto aos soldados no campo de batalha, provendo-lhes assistência religiosa permanente. No final daquele ano, terminando a guerra, acaba sendo feito prisioneiro pelo exército italiano por cerca de dois meses. Com esta experiência missionária na guerra de ir ao encontro daqueles que necessitam, onde estivessem, e a reflexão na prisão, amadurece sua vocação religiosa com propósito missionário.

Em 1919 volta para a Polônia, reassumindo suas funções de sacerdote diocesano, quando solicita à Cúria de Breslau licença para ser religioso missionário. Sendo atendido somente em 1921.

Ainda aguarda até 1922, pois sua mãe idosa e adoentada estava morando com ele. Até o falecimento de sua mãe, ele deu a ela todo carinho, apoio e assistência espiritual. Em julho daquele ano entra como aspirante na Casa Salesiana de Oswiecin. Em agosto vai para o noviciado de Klecza Dolna, onde já era motivo de atenção de seus pares e superiores pelos seus traços de santidade.

Em 1923 faz seu primeiro voto como salesiano, e permanece um ano na Casa Salesiana de Przemysl como vigário cooperador aguardando seu envio para as missões. Seu desejo era de ir para as “terras de missão”, na África ou nas Américas, para levar a Palavra de Deus aos povos nativos que ainda não tivessem recebido o Evangelho.

Em 1924 seu sonho de ser missionário em “terra de missão” começa a se concretizar. Em outubro, em Turim na Itália, recebe do Reitor-mor o crucifixo dos missionários. Na sequência é designado para ir para o Brasil, para onde segue viagem em novembro daquele ano. No Brasil é enviado para São Feliciano-RS, uma colônia de poloneses. Onde recebe o reconhecimento de seus superiores pelo seu “zelo pela salvação das almas”.

Em 1929 é enviado para Niterói na qualidade de adido ao Santuário de N. Sra. Auxiliadora, onde teve o reconhecimento de seu superior “… dum zelo sacrificado pelas almas e duma encantadora caridade para com todos …”.

Em 1930 segue para Lavrinhas-SP, onde faz o voto perpétuo, permanecendo ali até 1934, quando vai para Luiz Alves-SC, para dar assistência religiosa aos colonos poloneses, italianos e alemães.

Em 1936 volta para o seminário de Lavrinhas como confessor e professor.

Em 1941 é diagnosticado com tuberculose e é enviado em janeiro para a residência salesiana de São José dos Campos-SP para se tratar no Sanatório Vicentina Aranha. O diagnóstico de sua doença era grave, com recomendação de se alimentar bem e repousar, com expectativa de vida muito curta. Mas o “Padre Santo” não se deixa abater e continua sua missão, atendendo a todos sem repouso, com seu zelo absoluto, os doentes nos hospitais, os velhinhos do asilo Sto. Antônio, confissões, atendendo chamados em pontos remotos da zona rural, que fazia questão de ir caminhando. Ia onde precisassem dele a qualquer momento. Era muito amado por todos, católicos ou não, fortalecendo sua fama de santidade. Veio a falecer em 1949, para consternação geral da cidade. Morreu o “Padre Santo”.

É importante observar que o Brasil até a década de 1950 era um país predominantemente rural, e que as cidades em que o Venerável Pe. Rodolfo sdb serviu como sacerdote por 25 anos em nosso país, como São Feliciano-RS, Lavrinhas-SP, Luiz Alves-SC e São José dos Campos-SP, eram cidades típicas desta fase da história do Brasil, com dezenas de pequenos vilarejos e capelas ao redor, sendo grande parte em pontos remotos da área rural, distantes dos centros urbanos, com acesso por estradas precárias de terra. E um traço marcante do Venerável Pe. Rodolfo sdb em todas estas localidades foi a sua atuação missionária, sempre peregrino, indo a pé onde e ao encontro dos que precisavam dele, sem limites de horário, distância, clima, ou qualquer outra dificuldade. Ele estava sempre “em saída”, como pede atualmente o Papa Francisco.

O “Padre Santo” foi um missionário por excelência, sendo uma referência permanente e atual para todos os batizados, para que sejamos de fato todos discípulos missionários, para que todos possam ser salvos, conforme nos ordenou o Nosso Senhor Jesus Cristo. Que levemos o Evangelho à todas as periferias do mundo como pede o Santo Padre e como nos mostrou com sua experiência de vida missionária o “Padre Santo”.

José de Sá

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